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Como precificar consultas e procedimentos corretamente

3 de set.
6 min de leitura

Descubra como calcular o preço ideal dos seus serviços considerando custos, despesas, impostos, margem de lucro, posicionamento de mercado e percepção de valor, garantindo

sustentabilidade financeira e competitividade.



Um dos maiores erros cometidos por clínicas e consultórios é definir o preço de consultas e

procedimentos sem qualquer metodologia.


Alguns profissionais simplesmente observam quanto o concorrente cobra. Outros utilizam uma margem fixa sobre os custos. Há ainda quem estabeleça valores com base apenas na percepção do que acredita ser "aceito pelo mercado".


O resultado costuma ser o mesmo: clínicas com agenda cheia, mas com baixa lucratividade.


A precificação é uma das decisões mais estratégicas da gestão empresarial. Um preço muito baixo compromete o lucro e dificulta investimentos. Um preço excessivamente alto pode reduzir a demanda quando não está alinhado ao posicionamento da clínica.


Encontrar esse equilíbrio exige conhecimento dos números da empresa e uma análise criteriosa do mercado.


Neste artigo, você aprenderá como estruturar uma precificação profissional, baseada em dados financeiros e não em achismos.


O maior erro: confundir faturamento com lucro

Imagine duas clínicas.


Clínica A

  • Consulta: R$250,00

  • 600 consultas por mês

  • Faturamento: R$150.000,00


Clínica B

  • Consulta: R$380,00

  • 420 consultas por mês

  • Faturamento: R$159.600,00


À primeira vista, ambas parecem ter resultados semelhantes. Mas suponha que a Clínica A tenha custos elevados e margem líquida de apenas 6%, enquanto a Clínica B trabalhe com processos eficientes e margem líquida de 20%.


Nesse cenário:

Clínica A gera aproximadamente R$ 9.000 de lucro.

Clínica B gera aproximadamente R$ 31.920 de lucro.


A diferença não está apenas no número de pacientes, e sim na forma como os preços foram

definidos.


Precificar corretamente significa vender rentabilidade, e não apenas volume.


O preço precisa pagar muito mais do que o procedimento

Muitos profissionais calculam apenas o custo do material utilizado.


Esse é um erro grave.


Quando um paciente realiza uma consulta ou procedimento, ele não está pagando apenas pelo tempo do profissional. O preço deve ser suficiente para cobrir toda a estrutura necessária para que aquele atendimento aconteça.


Quais custos devem entrar na precificação?

Uma metodologia eficiente considera cinco grandes grupos de custos.


1. Custos diretos

São aqueles diretamente relacionados ao atendimento.

Exemplos:

materiais descartáveis;

medicamentos;

próteses e implantes;

exames utilizados durante o procedimento;

comissões ou honorários específicos.


2. Custos indiretos

São despesas necessárias para manter a clínica funcionando.


Entre elas:

  • aluguel;

  • condomínio;

  • energia elétrica;

  • internet;

  • telefone;

  • limpeza;

  • recepção;

  • sistemas de gestão;

  • manutenção dos equipamentos;

  • contador;

  • marketing;

  • seguros.


Esses custos precisam ser rateados entre todos os atendimentos realizados pela clínica. A

literatura e as boas práticas de gestão financeira em saúde destacam que ignorar os custos

indiretos é uma das principais causas de preços mal definidos.


3. Tributos

Outro erro bastante comum é esquecer os impostos.


Dependendo do regime tributário da empresa, o preço deverá suportar:

  • Simples Nacional;

  • Lucro Presumido;

  • ISS;

  • retenções;

  • demais encargos incidentes.


Se os tributos não forem considerados, a clínica pode descobrir somente no vencimento das guias que parte do valor recebido nunca foi lucro.


4. Margem de lucro

Lucro não é o dinheiro que sobra no final do mês. Ele deve ser planejado.


  • Uma margem adequada permite:

  • investir em novos equipamentos;

  • ampliar a estrutura;

  • formar reservas financeiras;

  • enfrentar períodos de baixa demanda;

  • remunerar adequadamente os sócios.


Sem margem planejada, o crescimento da clínica torna-se insustentável.


5. Investimentos futuros

Toda clínica precisa evoluir continuamente.


Equipamentos modernos, treinamentos, tecnologia, marketing e expansão exigem recursos

financeiros. Esses investimentos precisam ser considerados na formação do preço.


Caso contrário, a empresa cresce em faturamento, mas permanece sem capacidade de investir.


Um exemplo prático de precificação

Imagine uma consulta com duração média de uma hora.


Durante o cálculo, foram identificados os seguintes custos:

Item 

Valor

Tempo do profissional 

R$120,00

Secretária e recepção 

R$18,00

Estrutura física 

R$32,00

Sistemas e tecnologia 

R$10,00

Materiais de consumo 

R$12,00

Marketing 

R$8,00

Tributos estimados 

R$35,00

Custo total 

R$235,00

Se a clínica deseja obter uma margem de lucro de aproximadamente 25%, o preço da consulta não pode ser simplesmente R$250,00.


Nesse exemplo, um valor próximo de R$315,00 a R$330,00 proporcionaria uma remuneração mais compatível com os objetivos financeiros da empresa.


Esse exemplo demonstra por que clínicas que definem preços apenas observando os concorrentes frequentemente trabalham com margens muito inferiores ao esperado.


Copiar o concorrente pode ser um grande erro

Uma prática bastante comum consiste em perguntar: "Quanto a clínica ao lado cobra?"

Embora conhecer o mercado seja importante, utilizar esse dado como único critério pode ser extremamente perigoso.


A clínica concorrente pode possuir:

  • custos menores;

  • estrutura diferente;

  • equipe reduzida;

  • outra carga tributária;

  • outro posicionamento;

  • outro público-alvo.


Ou pior:

Ela também pode estar precificando incorretamente.


Por isso, conhecer o mercado é importante, mas definir preços exclusivamente por comparação é uma estratégia arriscada. Especialistas em gestão financeira para clínicas apontam que a precificação deve combinar custos reais, demanda e posicionamento da marca.


Posicionamento influencia diretamente o preço

Nem toda clínica precisa competir pelo menor preço.


Aliás, essa costuma ser uma estratégia pouco sustentável.

Clínicas que oferecem:

  • atendimento diferenciado;

  • estrutura moderna;

  • localização privilegiada;

  • tecnologia;

  • menor tempo de espera;

  • experiência personalizada;

  • especialistas reconhecidos,

  • conseguem praticar preços superiores porque entregam maior valor percebido ao paciente.


O preço deve refletir o posicionamento da marca.


A importância da "hora clínica"

Um conceito ainda pouco utilizado é o cálculo da hora clínica.


Ela representa quanto custa manter toda a estrutura funcionando durante uma hora de

atendimento.


Para calcular esse indicador normalmente considera-se:

  • despesas fixas mensais;

  • custos variáveis;

  • quantidade de horas produtivas;

  • capacidade operacional.


Conhecendo o custo da hora clínica, torna-se muito mais simples precificar qualquer

procedimento.


Diversas metodologias modernas de gestão utilizam esse conceito como base para a formação de preços em clínicas.


Nem todos os procedimentos precisam da mesma margem

Outro erro frequente é aplicar exatamente a mesma margem de lucro para todos os serviços.


Cada procedimento possui características próprias.


Alguns demandam:

  • maior tempo;

  • equipamentos de alto custo;

  • equipe adicional;

  • materiais mais caros;

  • maior risco operacional.


Outros possuem baixo custo e elevada demanda.


Por isso, a margem pode variar conforme a estratégia da clínica.


Revise os preços periodicamente

A precificação não é uma decisão definitiva.


Custos aumentam. Salários sofrem reajustes. Tributos mudam. Novos investimentos são

realizados. O mercado evolui.


Por isso, recomenda-se revisar periodicamente os preços para garantir que continuem

compatíveis com a realidade financeira da empresa.


Indicadores que ajudam na precificação

Uma gestão profissional acompanha indicadores como:

  • custo médio por atendimento;

  • margem de contribuição;

  • margem líquida;

  • ticket médio;

  • ocupação da agenda;

  • rentabilidade por especialidade;

  • lucro por procedimento;

  • retorno sobre investimentos.


Esses indicadores permitem identificar quais serviços geram maior retorno e quais precisam ser reavaliados.


Erros mais comuns na formação de preços

Entre os principais erros observados nas clínicas estão:

  • copiar preços da concorrência;

  • considerar apenas materiais;

  • esquecer os impostos;

  • ignorar despesas administrativas;

  • não calcular a margem de lucro;

  • não revisar preços periodicamente;

  • oferecer descontos sem conhecer a margem disponível;

  • misturar finanças pessoais com as da empresa.


Na maioria dos casos, esses erros explicam por que clínicas com grande volume de pacientes apresentam baixa lucratividade.


Precificação é uma ferramenta de gestão

Mais do que definir quanto cobrar, precificar significa compreender toda a estrutura financeira da empresa.


Quando a clínica conhece seus custos reais, sua capacidade operacional e seus objetivos

financeiros, consegue tomar decisões muito mais estratégicas.


Isso permite crescer de forma sustentável, investir com segurança e construir uma operação

financeiramente saudável.


Conclusão

Precificar consultas e procedimentos corretamente é muito mais do que atribuir um valor a um serviço. É uma decisão estratégica que influencia diretamente a rentabilidade, o posicionamento da clínica e sua capacidade de crescer de forma sustentável.


Uma precificação eficiente considera custos diretos e indiretos, carga tributária, investimentos futuros, margem de lucro e a percepção de valor entregue ao paciente.


Quando esses fatores são analisados em conjunto, a clínica deixa de competir apenas por preço e passa a competir por qualidade, eficiência e resultados. O verdadeiro objetivo não é cobrar mais nem cobrar menos, mas cobrar o valor correto para garantir sustentabilidade financeira, excelência no atendimento e capacidade contínua de investir no crescimento do negócio.


Como a Gestão Certa 360 pode ajudar

Na Gestão Certa 360, entendemos que uma precificação eficiente começa com informação de qualidade. Por isso, auxiliamos clínicas e consultórios a conhecerem seus custos reais,

analisarem indicadores financeiros, estruturarem centros de custos e definirem preços baseados em dados concretos, e não em estimativas ou na simples observação da concorrência.


Mais do que calcular impostos ou elaborar demonstrativos financeiros, ajudamos nossos clientes a transformar números em estratégias de crescimento. Porque uma clínica bem administrada depende de decisões inteligentes, fundamentadas e orientadas para resultados.


Com a Gestão Certa 360, sua clínica precifica com segurança, protege sua rentabilidade e

constrói uma base sólida para crescer de forma sustentável.


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